Em reunião com Prefeitura de Fortaleza, Seeaconce cobra pagamento dos salários e direitos aos terceirizados da Educação e da Saúde

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Com a grande manifestação realizada nesta quarta-feira, 10/1, no Paço Municipal, por centenas de trabalhadores e trabalhadoras atuantes nas secretarias municipais de Educação e Saúde que ainda não receberam o salário de dezembro e estão com vale-alimentação e vale-transporte atrasados, o Seeaconce conseguiu ser recebido pelo secretário de Planejamento, Pessoal, Orçamento e Gestão, da Prefeitura de Fortaleza, João Marcos, em uma reunião no final da manhã.

 

Na reunião Penha Mesquita, presidente do Seeaconce, Josenias Gomes e Maury Maia, integrantes da Diretoria do Sindicato, e trabalhadores escolhidos como representantes para compor a comissão de negociação pediram, insistiram, apelaram várias vezes para que a Prefeitura de Fortaleza liberasse ao menos a primeira parcela do valor devido às empresas de contratação de pessoal terceirizado, dinheiro referente a reequilíbrio de contrato. Empresas como a Rent, a Vespa, a Fortal e a Mais Serviços estão com atraso de salário do pessoal da Secretaria de Educação. Empregados da empresa Servnac também denunciaram atraso.

 

Em audiência de mediação no Ministério Público do Trabalho, realizada na véspera da manifestação, após apelos do Seeaconce as empresas se comprometeram a realizar o pagamento do salário de dezembro, que deveria ter sido quitado até o quinto dia útil de janeiro, se a Prefeitura pagasse ao menos a primeira parcela desse valor em atraso.

 

O secretário João Marcos, porém, negou a solicitação e prometeu se reunir com o Ministério Público do Trabalho ainda nesta quarta-feira, para buscar uma forma de viabilizar legalmente que a Prefeitura faça diretamente o pagamento aos trabalhadores terceirizados que estão prejudicados com o atraso de salário e de direitos.

 

Penha Mesquita advertiu que esse processo pode vir a ser bastante demorado e que os trabalhadores, que não têm como sustentar suas famílias, não podem esperar mais para receber o que lhes é de direito e que já deveria ter sido pago.

 

O sindicato avalia que a Prefeitura não foi sensível para resolver o problema no dia de hoje, o que poderia ter sido feito com o pagamento da primeira parcela dos valores devidos de reequilíbrio de contrato. Assim, os trabalhadores seguem prejudicados. Mas o Seeaconce seguirá na luta, mantendo a manifestação no Paço Municipal, fechando o trânsito e pedindo apoio da população para essa causa mais do que justa, para que quem trabalhou receba o devido salário.

 

“Pedimos muito que a Prefeitura fizesse o pagamento, mas o secretário preferiu dizer que vai tentar pagar diretamente ou conseguir outras empresas para absorver esses trabalhadores. Alertamos que isso pode levar muito tempo, e que a situação dos trabalhadores é urgentíssima. Não tem como esperar nem um dia a mais”, destacou Penha Mesquita, falando à categoria em frente ao Paço Municipal, após a reunião.

 

“Infelizmente é uma Prefeitura que não tem interesse em resolver. E que mostra desconhecer a gravidade do problema, pois nem sabia quais são todas as empresas que estão com atraso de salário”, acrescentou a presidente do Seeaconce.

 

“Há um cabo de guerra entre as empresas e a Prefeitura, mas o trabalhador não pode ser penalizado”, destacou, por sua vez, Josenias Gomes, falando aos trabalhadores sob o sol do meio-dia, em frente à Prefeitura. “Amanhã estaremos de volta aqui, e com o triplo de trabalhadores se manifestando, até que o salário seja pago.

 

Outras irregularidades denunciadas

 

Durante a reunião com o secretário João Marcos, os trabalhadores que foram escolhidos representantes da comissão de negociação denunciaram outras irregularidades, como atrasos seguidos desde outubro, no caso da empresa Servnac, ameaças a trabalhadores que participem das manifestações do Seeaconce pelo pagamento dos valores atrasados, assédio moral, elaboração de listas com nomes de trabalhadores que participam das atividades sindicais, exigência de o trabalhador abrir conta em banco específico escolhido pela empresa, com pagamento de taxas para saques. O secretário tomou nota das denúncias e prometeu investigá-las, cobrando esclarecimentos das empresas.